Quantos BTUs para o meu quarto: a conta certa
Atualizado em setembro de 2026.
Ar-condicionado é uma das poucas compras em que o aparelho mais potente pode ser a escolha errada. Comprar BTU demais esfria pior, gasta mais luz e desgasta o compressor mais rápido.
Aqui está a conta que os instaladores usam, com os quatro fatores que quase nenhuma lista pronta soma, e a tabela por cômodo para conferir em trinta segundos.
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Transparência: este artigo não tem link de compra nem link de afiliado. É conteúdo explicativo, e a única coisa que queremos aqui é que você saia sabendo escolher sozinho.
Neste guia

Calculadora de BTUs
A mesma conta explicada abaixo, feita na hora para o seu cômodo.
Aparelho indicado
A conta que quase todo mundo erra
Existe uma crença antiga de que ar-condicionado é como carro: quanto mais potente, melhor. Com BTU acontece o contrário. Um aparelho grande demais para o cômodo esfria pior que um do tamanho certo, gasta mais luz e ainda estraga antes.
BTU é uma unidade de energia, e BTU/h é a quantidade de calor que o aparelho consegue tirar do ambiente em uma hora. Quando alguém diz “um 9.000”, está falando de 9.000 BTU/h. O trabalho de escolher é simples: descobrir quanto calor o seu cômodo produz e comprar um aparelho que dê conta daquilo, sem sobra grande.
Este guia mostra a conta, os quatro fatores que quase ninguém soma e por que sobrar é pior que faltar.
A conta rápida: metro quadrado vezes 600 ou 800
A base de cálculo que os fabricantes usam parte da área do cômodo:
- 600 BTU/h por metro quadrado, para ambiente sem sol direto na janela ou na parede
- 800 BTU/h por metro quadrado, para ambiente que pega sol, principalmente da tarde
Um quarto de 12 m² virado para o sul, sem sol batendo: 12 × 600 = 7.200 BTU/h. Como o mercado vende em degraus (9.000, 12.000, 18.000, 24.000), sobe para o degrau seguinte e fica no 9.000.
O mesmo quarto de 12 m², mas com a janela virada para o oeste e sol na cara a tarde inteira: 12 × 800 = 9.600 BTU/h. Aqui o 9.000 já fica no limite, e o 12.000 é a escolha segura.
🔑 É a mesma sala, e a orientação da janela mudou o aparelho. Por isso a conta por metro quadrado sozinha não fecha.
Os quatro fatores que quase ninguém soma
Depois da área, some o que mais esquenta o ambiente:
Pessoas: +600 BTU/h por pessoa, a partir da segunda. Um corpo em repouso solta cerca de 600 BTU/h de calor. O casal no quarto conta uma pessoa extra. A sala que recebe seis pessoas no domingo conta cinco extras, e isso são 3.000 BTU/h a mais, o suficiente para mudar o degrau do aparelho.
Eletrônicos: +600 BTU/h para cada aparelho que esquenta. TV grande ligada, computador de mesa, videogame, geladeira dentro do ambiente. Tudo que consome energia devolve calor.
Pé-direito acima de 2,70 m: some 10% a cada 30 cm extras. A conta por metro quadrado assume teto padrão. Cômodo de laje alta tem mais ar para resfriar.
Cobertura ou último andar: some de 10% a 15%. Telhado pegando sol o dia inteiro entrega calor pelo teto a noite toda.
A tabela pronta, por cômodo
Já com as somas típicas embutidas. Use como ponto de partida e ajuste pelos fatores acima:
| Cômodo | Área | Sem sol forte | Com sol da tarde |
|---|---|---|---|
| Quarto de solteiro | até 10 m² | 9.000 | 9.000 |
| Quarto de casal | 12 a 15 m² | 9.000 | 12.000 |
| Quarto grande ou suíte | 16 a 20 m² | 12.000 | 18.000 |
| Sala pequena | 18 a 22 m² | 12.000 | 18.000 |
| Sala média | 23 a 30 m² | 18.000 | 24.000 |
| Sala integrada com cozinha | 30 a 40 m² | 24.000 | 30.000 ou dois aparelhos |
| Escritório com PC e 2 pessoas | 12 a 15 m² | 12.000 | 12.000 |
Sala integrada com cozinha é o caso mais mal resolvido das listas prontas. O fogão é uma fonte de calor enorme e intermitente, e a passagem aberta faz o ar frio escapar. Quando a área passa de 35 m², dois aparelhos menores costumam funcionar melhor que um gigante.
Por que sobrar é pior do que faltar
Este é o ponto que inverte a intuição. Um aparelho superdimensionado atinge a temperatura programada muito rápido e desliga. Depois liga de novo, desliga de novo. São os ciclos curtos, e eles trazem três problemas:
O ambiente fica frio e úmido. Tirar umidade do ar leva tempo de funcionamento contínuo. Se o compressor desliga em cinco minutos, ele resfria mas não desumidifica. O resultado é aquela sensação desagradável de frio abafado, e é por isso que muita gente reclama de um aparelho “forte demais”.
Gasta mais luz. A partida do compressor é o momento de maior consumo. Ligar e desligar o tempo todo consome mais que trabalhar de forma estável.
O compressor dura menos. Cada partida desgasta. Um aparelho que liga seis vezes por hora envelhece mais rápido que um que fica ligado.
Faltar BTU também tem custo: o aparelho fica no limite, roda o tempo todo sem atingir a temperatura e gasta muito. Mas errar para menos costuma dar um ambiente menos confortável, enquanto errar para mais dá um ambiente desconfortável e um aparelho que quebra antes.
🔑 Regra prática: quando a conta cair entre dois degraus, olhe o sol. Cômodo que pega sol da tarde sobe de degrau. Cômodo sombreado fica no degrau de baixo.
O inverter muda essa história?
Muda, em parte. Um aparelho inverter não trabalha só em liga e desliga: ele varia a rotação do compressor e consegue funcionar em potência parcial. Isso reduz muito o problema dos ciclos curtos, e é por isso que o superdimensionamento em inverter perdoa mais.
Perdoa, mas não compensa. Um inverter de 18.000 num quarto de 12 m² vai funcionar bem, e você terá pago bem mais caro por uma capacidade que nunca usa, num aparelho fisicamente maior na parede.
Frio ou quente e frio
Em boa parte do Brasil o modelo só frio resolve. O quente e frio faz sentido em cidades onde o inverno realmente pesa, e a diferença de preço costuma ser pequena nos modelos inverter, porque a mesma tecnologia que resfria também aquece invertendo o ciclo.
O detalhe que quase ninguém checa: aquecer por ar-condicionado costuma ser mais eficiente que aquecedor elétrico, porque o aparelho move calor em vez de gerar calor. Se você usa aquecedor de resistência hoje, o quente e frio pode se pagar.
Perguntas rápidas
9.000 BTUs servem para um quarto de casal?
Servem, se o quarto tiver até 15 m² e não pegar sol da tarde. Com sol forte na janela, o 12.000 é a escolha segura.
Posso instalar um aparelho maior por segurança?
Não é seguro, é o contrário. O aparelho grande demais esfria rápido, desliga, e não dá tempo de tirar a umidade do ar. O ambiente fica frio e abafado, e o compressor sofre com as partidas.
Preciso somar BTU por causa do meu computador?
Sim, cerca de 600 BTU/h por aparelho que esquenta de verdade, como PC de mesa, TV grande ou videogame ligado por muitas horas.
A conta muda para ar-condicionado portátil?
A conta de calor é a mesma, mas o portátil rende menos que um split de mesma capacidade, porque parte do calor volta pela mangueira e pelas frestas da janela. Considere um degrau a mais.
Se a sua conta caiu entre dois degraus, use o sol como critério de desempate: cômodo que pega sol da tarde sobe de degrau, cômodo sombreado fica no de baixo.
Por Redação Nobre Tech Reviews. Analisamos fichas técnicas oficiais, o consenso das análises já publicadas e as avaliações de quem comprou para indicar o produto certo pelo menor preço possível, sem publieditorial e sem lista patrocinada.
Fontes consultadas
- Documentação técnica e especificações oficiais dos fabricantes.
- Etiqueta Nacional de Conservação de Energia do Inmetro (Programa Brasileiro de Etiquetagem), para consumo e classe de eficiência.
- Análises e testes já publicados sobre o tema, cruzados entre si.
Os dados foram conferidos na fonte original e resumidos neste guia. Encontrou algo desatualizado? Fale com a redação pela página de contato.